
E ai gente. bom dia!!!

Hoje trouxemos pra vocês um assunto que está em alta: A cura Gay. É ! Essa mesma, que você toma duas pilulas ao acordar e ao deitar pra poder se curar...
Curar as feridas que a homofobia alheia causam. Curar a dor do preconceito. Curar os olhares maldosos, o constrangimento.. alguém sabe me dizer qual profissional se deve ir pra curar essas doenças? porque ate onde sabemos, o preconceito ainda é a pior doença de todas, a doença da alma.
Fizemos uma entrevista com a nossa professora e orientadora de estágio, Polyana Matumoto .
De acordo com a sua visão, Professora, em que se baseia a proposta da "cura gay"??
"Essa é uma pergunta que eu tenho feito também, Isabella.
Vamos deixar de lado nesse momento qualquer discussão religiosa ou "moral" e vamos nos ater à ciência; que quem me conhece sabe que é meu "sobrenome".
Primeiramente, não existe qualquer evidência de que a homossexualidade é uma patologia, e eu entendo a palavra "cura" necessariamente vinculada à uma patologia que necessita de tratamento. Tanto não é, que não existe um DIAGNÓSTICO e, portanto, não pode ser considerado DOENÇA. Hoje já entendemos que existem diferentes orientações sexuais. Na verdade, elas sempre existiram pois são inerentes à espécie humana. No entanto, a expressão dessas orientações foram evoluindo juntamente com a consciência da sociedade e a libertação de alguns estigmas e dogmas vigentes. Além disso, TODAS as pesquisas científicas realizadas até hoje que comparam qualquer tipo de desempenho ou qualidade de vida entre hetero e homossexuais, não apontam qualquer diferença. Por exemplo, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com casais homossexuais que adotaram crianças, mostram que essas crianças estavam em pleno desenvolvimento, saudáveis e equilibradas; sem qualquer diferença com crianças criadas por casais heterossexuais.
Em segundo lugar, mesmo se considerarmos que existisse tratamento para tal caso (o que para mim é um absurdo), desconheço qualquer tipo de protocolo ou técnicas cientificamente estudadas e comprovadas que constituam um tratamento sério e embasado. Então, minha dúvida é: essa "cura" viria como? Através de que conceitos, preceitos, condutas ou protocolos? Porque se não existem estudos sérios que embasem esse tipo de conduta profissional, não vejo como diferenciá-la de práticas... Vou chamá-las de "alternativas", e que não se enquadram como práticas de saúde mental.
Em terceiro e último lugar, geralmente, quem busca a "cura" de alguma "doença" é o próprio enfermo que quer se livrar desta condição. Não é o que eu vejo nesse caso. Na maioria das vezes, o que vemos é uma pressão familiar, social ou religiosa que induz (para não dizer "obriga") o indivíduo a procurar essa "cura", não no sentido de ele se sentir melhor ou ser mais feliz, mas no sentido de se enquadrar a padrões aceitáveis de outros, e não dele mesmo. E, na minha opinião, não é e não deveria ser esse o objetivo de qualquer profissional da saúde mental.
Talvez, o objetivo seja a orientação e cuidados à essas pessoas que precisam se instrumentalizar e se fortalecer para lidar melhor com o preconceito e com as pressões sociais que sofrem diariamente, ainda hoje, infelizmente; para tentarem serem felizes independente de sua orientação sexual e apesar das opiniões alheias. Nessa "cura" eu acredito".
Obrigada, Professora.
Nos colocamos à disposição para esclarecer mais dúvidas.






